Resgatada há dois anos, onça parda é transferida para parque em Rio Branco

onça01PORTO VELHO – Dodge, uma onça parda macho que vivia no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Porto Velho, foi transferida na manhã desta quinta-feira (18) para o Parque Ambiental Chico Mendes, em Rio Branco (AC). Encontrado em sitiante em São Miguel do Guaporé, município distante 540 km da capital de Rondônia, Dodgge chegou ao Cetas no dia 16 de julho de 2012. No novo ambiente, uma fêmea da mesma espécie, a Chitara, espera por ele.

A transferência do Dodge para Rio Branco foi feita por funcionários do Parque Ambiental Chico Mendes. De acordo com o veterinário José da Conceição Guimarães, Dodge fará companhia a Chitara, de 4 anos e meio. ‘‘A gente veio a Porto Velho buscar esse namorado para a Chitara, vamos ver de dar certo’’, disse. No entanto, o ‘namoro’ ainda vai demorar para acontecer. “É preciso esperar mais seis meses para que o Dodge entre totalmente na idade adulta e possa então ser o companheiro de Chitara. Esperamos que der bom resultado desse cruzamento’’, afirma.

De acordo com o veterinário Gilson Dias, o animal chegou saudável e durante toda a estadia no Cetas não apresentou nenhuma alteração clínica. ‘‘O Dodge chegou aqui pelo Ibama. Ele chegou pequeno, com aproximadamente 45 dias, se alimentava de leite. Tinha mais ou menos um quilo e meio. Ele andava um pouco bambo, mas logo ele firmou e começou a brincar e desenvolver’’, disse o veterinário que acompanhou toda a trajetória de Dodge e disse que vai sentir saudade do animal que está com 2 anos e 5 meses.

Como característica da espécie, Dodge é curioso. ‘‘É um animal habilidoso, inclusive para subir nas árvores. Tem a coloração pintada quando nasce, que é uma forma de se camuflar no meio da mata para se proteger dos possíveis predadores. Quando cresce, as pintas vão sumindo e ele vai criando uma coloração mais avermelhada e é por isso que ele é conhecida como onça vermelha, além de outros nomes. Ele é um animal muito bonito e ficará em exposição no parque, que é um lugar muito visitado’’, aponta.

Mamífero carnívoro do gênero Puma, o animal é conhecido como suçuarana, onça-vermelha, onça-bodeira, mossoroca, leão-baio, leãozinho-de-cara-suja e onça parda.

Transferência

Esta não é a primeira vez que o Parque Ambiental Chico Mendes, em Rio Branco, recebe animais do Cetas. ‘‘ Nós já recebemos um jacaré, uma onça-pintada e uma onça-vermelha’’, conta Guimarães. Dodge fará companhia para mais 180 animais do parque, mamíferos, repteis e aves. ‘‘Ele ficará em um recinto que está de acordo com a legislação do Ibama. Esse recinto suporta, além do Dodge e da Chitara, mais um animal adulto’’, conta. Ao chegar ao parque, Dodger passará por um período de observação e adaptação antes de ir para o mesmo recinto que a Chitara.

Dodge foi colocado dentro de uma caixa adequado ao porte dele e deixou ao Cetas em uma caminhonete. “Não será necessário usar sedativo porque é um animal muito manso. Faremos pausas durante a viagem para verificar a condição dele”, disse.

Cetas

Assim como o Dodge, a maioria dos animais chega ao Cetas é proveniente de apreensões do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Retornáveis (Ibama). Dos 80 animais que o espaço abriga atualmente, 77 foram apreendidos pelo Ibama. Mas nem sempre foi assim. Quando criado em 2009 pelo consórcio Santo Antônio Energia (SAE), o Cetas tinha como objetivo tratar dos animais resgatados na área do reservatório e da usina de Santo Antônio. Mas, com as obras do local em ritmo avançado, desde 2013, o espaço tem recebido um incremento dos animais apreendidos pelo Ibama.

‘‘Aqui nós fazemos toda uma triagem do animal. O animal que apresenta um estado de saúde bom é devolvido ao Ibama para dar um destino correto para este animal seja a soltura, um fiel depositário ou um zoológico. E Reabilita os que chegam machucados’’, disse o veterinário.
O Centro de triagem possui 18 recintos. ‘‘São recintos internos para acomodar os animais que estão em reabilitação ou filhotes que precisam de cuidados especiais. Temos ainda dois recintos externos de médio ou grande porte e temos mais três recintos externos para aves’’, conta.

Além dos recintos, o Cetas tem o setor de quarentena, para onde os animais vão quando chegam e ficam em observação antes de irem para os recintos. ‘‘A maior parte dos animais que chegam ao Cetas tem algum tipo de alteração clínica quer seja uma fratura, uma desidratação, seja um problema nutricional’’, afirma.

Abrigo

Entre os 80 animais abrigados pelo Cetas estão mamíferos, felinos de grande e médio porte, porcos selvagens, aves e primatas. ‘‘Temos muitos primatas. Infelizmente as pessoas ainda têm a cultura de criar animais silvestres em casa. Pela região rural, é normal encontrar pessoas que criam macacos, ou araras ou papagaios, então esses animais acabam vindo para cá’’, disse.

‘‘Nós já tivemos 100 animais e essa é mais ou menos a capacidade do Cetas. Hoje nós temos uma lotação de 80 animais e a Santo Antônio Energia tem procurado destinar esses animais para outros locais que tenham interesse’’, conta o analista ambiental da SAE Javier Cisneiros. Por enquanto a manutenção do Cetas é feito pela SAE, mas deverá passar para responsabilidade do Ibama.

Fonte: Portal Amazônia

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