Rio Negro deve atingir até 29,59 metros em 2015, afirma CPRM

CPRMMANAUS – A cidade de Manaus deve enfrentar uma cheia acima da média este ano. A previsão é do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) que, na manhã de desta terça-feira (31), divulgou o primeiro alerta de cheia para a capital do Amazonas. “O nível do rio Negro, em Manaus, deve ficar entre 28,89 e 29,59 metros, o que indica uma cheia acima da média”, explica o superintendente do órgão no Amazonas, Marco Antônio Oliveira.

Segundo Oliveira, o primeiro alerta é o de maior probabilidade de acerto quanto ao nível máximo do rio no ano. “O primeiro alerta tem 70% de chance de acerto”, afirma. Ele também garante que o modelo matemático usado pelo CPRM é o mais eficaz na previsão de cheias na Amazônia.

É certo que o nível do Negro, em Manaus, supere os 29 metros, assim como ocorreu em suas dez maiores enchentes. A explicação para situação são as chuvas excessivas que têm atingido o Peru, onde o nasce o rio Amazonas. “Nos preocupa as informações que chegam da estação de monitoramento na cidade de Iquitos, no Peru, onde o rio Amazonas vive uma cheia histórica”, alerta o superintendente.

Além das chuvas, outro fator que influencia o nível do rio Negro em Manaus é o nível do rio Solimões, que represa as águas do Negro na altura da capital do estado. O nível máximo já alcançado pelo rio na capital chegou a 29,97, em 2012.

De acordo com o meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia, Ricardo Dallarosa, os meses de abril e maio são os mais chuvosos na Amazônia Ocidental. “Nos três primeiros meses, as chuvas no Peru e na Colômbia foram menos chuvosos, mas nos próximos trinta, quarenta choverá acima do esperado nesta região”, explica.

“Este ano, o rio Solimões vem apresentando um volume de água semelhante ao de 2012, quando houve uma cheia recorde”, alerta. “Mas para saber se o rio vai superar a cheia de 2012, devemos esperar as chuvas de abril e observar as chuvas que atingem o Peru”, ponderou.

Em 2014, o rio Negro atingiu, em Manaus, a marca de 29,50 m, a 5ª maior da história. Isso aconteceu porque o rio Madeira viveu uma cheia histórica naquele impactando o nível do rio Amazonas. Durante o período o Madeira inundou bairros da capital de Rondônia, Porto Velho, isolou municípios da região e até a capital do Acre, Rio Branco. A BR-364 teve o tráfego restrito porque as águas encobriram alguns trechos da rodovia.

A hidrografia da Amazônia é complexa e interligada. Tudo o que acontece nas bacias dos seus principais rios reflete nos demais. O rio Amazonas nasce no Peru, onde recebe vários nomes como Apurimac, Ene e Ucayali ao longo do seu curso. Quando entra no território brasileiro, pelo município amazonense de Tabatinga, é chamado de Solimões. Somente após a confluência com o rio Negro é que passa a ser chamado de Amazonas.

O alerta de cheia para Manaus é divulgado desde 1989 três vezes ao ano. O primeiro, sempre no dia 31 de março, é o mais importante, porque permite que Defesa Civil de Manaus e comunidades articulem ações de prevenção à enchente. Os alertas seguintes são feitos nos últimos dias dos meses de abril e maio.

Fonte: Portal Amazônia

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