Transporte de produto tóxico vazado em RO foi irregular, alega prefeitura

interdicaoO transporte do produto químico derramado na rua Açaí, bairro Jardim Eldorado, Zona Leste de Porto Velho, foi feito de maneira irregular, afirma a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema). O produto é um ácido inibidor denominado ‘ancrol decrust’, utilizado em caldeiras de água para evitar a oxidação. A empresa de transportes foi autuada e notificada pela prefeitura, e deverá conter o vazamento, assim como retirar os produtos tóxicos do local. O vazamento afetou 15 pessoas, que precisaram de atendimento médico devido a tonturas e outros sintomas causados pelo odor do material, e isolou o quarteirão onde ocorreu o incidente.

Segundo a Sema, a empresa tem 20 dias para se defender dos autos de infrações lavrados contra ela. Ao G1, os responsáveis disseram que todos os procedimentos de segurança foram feitos para conter o produto. O advogado da transportadora, Lucas Orione Mendes, alega que o caso foi uma fatalidade, “sem danos maiores”. “O transporte do produto foi legal, pois ele é químico, mas não altamente tóxico. O material pode ser facilmente neutralizado, características suficientes para que seja transportado no tipo de carreta utilizada”, argumenta.

De acordo com o diretor do departamento de monitoramento e fiscalização ambiental da Sema, Sílvio Lins, dentro da carreta havia um recipiente com capacidade para 60 litros, que carregava 55 litros do ácido ‘ancrol decrust’. O recipiente estourou no transporte e vazou quando os funcionários da transportadora foram descarregar outros intens que estavam na carreta.

O veículo já foi apreendido. Os itens que estavam dentro da carreta e foram atingidos serão incinerados. Dentro do caminhão, havia materiais diversos, entre eles cadernos e até mesmo uma garupa de motocicleta, conforme a Sema.

O produto era originário de uma indústria química de Cuiabá, com nota fiscal emitida para uma empresa de reciclagem de garrafas pet, mas a companhia de reciclagem já comprovou que não solicitou a compra e, segundo a Sema, a indústria cuiabana admitiu que o faturamento da venda foi equivocado.

Segundo nota oficial da prefeitura, se for comprovado que o produto não é o que está descrito, a responsabilidade será do fabricante, pois o manejo do produto não foi realizado dentro das normas estabelecidas.

Uma coleta foi realizada para análise química do produto. O laudo sai em oito dias e vai dizer se o terreno está condenado. A identificação do produto foi feita por uma empresa especializada. Se o laudo disser que trata-se de ácido ‘ancrol de crusti’, o local será desinterditado, pois não é considerado um produto tóxico que traga problemas graves, disse o secretário municipal de saúde, Domingos Sávio Fernandes.

Área está isolada

Toda a área onde ocorreu o vazamento, no bairro Jardim Eldorado, está isolada. Cerca de dez famílias receberam orientações para deixar suas casas, por medida de precaução, mas somente três atenderam às recomendações dos órgãos fiscalizadores. Outras sete estão irredutíveis e se recusam a abandonar os imóveis até que seja dada uma solução para o problema, informou a Semusa.

De acordo com a Defesa Civil municipal, as famílias só poderão retornar para os lares após a certeza de que o resíduo não fará mal aos moradores da área, que continuará isolada, segundo a Defesa Civil.

Pessoas afetadas

Na segunda (13), quinze pessoas passaram mal devido ao forte cheiro do produto tóxico, e deram entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Sul de Porto Velho. Conforme explicou a Semusa, a maioria das pessoas sentiram fortes dores de cabeça, falta de ar e garganta seca porque tiveram contato com produtos denominados ‘Flocpol’ e ‘Ancrol’. As famílias serão acompanhadas por equipes médicas.

Uma reunião chegou a ser convocada pela prefeitura, e reuniu representantes da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), Defesa Civil Municipal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), Samu, Agência de Vigilância em Saúde (Agevisa) e Corpo de Bombeiros, que discutiram a situação também na última segunda-feira.

O vazamento

No dia 8 de abril, o vazamento do produto que era transportado no caminhão baú foi registrado na rua Açaí. O veículo vinha do Rio Grande do Sul e, segundo testemunhas, estava estacionado na rua desde o início da tarde, quando começou o vazamento.

Segundo um funcionário da empresa responsável pela carreta, quando o motorista percebeu o vazamento, retirou o caminhão do local. O líquido que vazou do possui coloração esverdeada e forte cheiro, o que despertou a atenção dos moradores.

Fonte: G1

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