Trégua coloca fim ao pedágio indígena

indiosA Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmou neste final de semana que o pedágio cobrado pelos indígenas da etnia Nambikwara na BR-174, a cerca de 30 quilômetros do município de Comodoro (MT), rodovia que dentro do perímetro urbano de Vilhena se transforma em BR-364, que se intensificou nos últimos dez dias, chegou ao fim já no final de sábado, 30, após uma reunião entre as lideranças dos manifestantes e o coordenador regional do órgão de proteção ao índio, Benedito Araújo.

Os indígenas decidiram liberar o fluxo da rodovia após o representante da Funai se comprometer, através da assinatura de uma ata lavrada pelos próprios Nambikwaras, em ajudá-los a conquistar suas reivindicações, as quais variam desde mais acesso à saúde, até mesmo pavimentação da estrada que liga as aldeia à rodovia federal, além do direito de poder plantar sobre a terra que lhes pertence, e poder gerar renda para o sustento de cerca de 600 pessoas da etnia que ainda vivem na região.

Segundo a própria Funai, os Nambikwaras estabeleceram um prazo de 15 dias para que o órgão comece a tornar realidade suas exigências. A equipe de reportagem do Diário da Amazônia esteve no local na semana passada, e trouxe a versão dos índios a respeito do pedágio, que segundo Jair Nambikwara, cacique-geral do grupo, tinha como finalidade custear a compra de comida e produtos que garantiriam a subsistência do grupo. Jair havia informado que a manifestação continuaria por tempo indeterminado até que o presidente nacional da Funai, Flavio Chiarelli, fosse ao local negociar com os índios. A equipe de reportagem do Diário da Amazônia tentou contato com líderes do movimento indígena para saber mais detalhes sobre assunto, porém a distância até as aldeias, bem como a dificuldade em chegar ao local, e a deficiência de sinais telefônicos impediram o contato.

Na visita da equipe jornalística ao local, os indígenas explicaram que as tarifas empregadas no pedágio variavam de R$ 10 a R$ 50, dependendo do veículo. As motocicletas estavam inseridas no valor mais baixo da tabela, seguidas por automóveis de pequeno e médio porte, dos quais eram cobrados R$ 25, e caminhões só passavam pelo local se pagassem o valor mais alto, R$ 50. A situação gerou revolta de cooperativas de transporte, bem como da Associação Comercial e Empresarial de Vilhena (Aciv), que se uniram e solicitaram a entidades federais como as polícias Rodoviária Federal (PRF) e Federal (PF) além da Procuradoria Geral da República (PGR) e a própria Funai medidas urgentes para solução acerca do impasse.

A PRF chegou a fazer algumas reuniões com os índios, que não chegaram a um acordo porque durante os encontros não havia representantes da Funai para endossar as propostas apresentadas. Na última quarta-feira, 27, outra reunião havia sido marcada, porém as lideranças Nambikwaras não compareceram porque os pajés tinham feito consultas aos espíritos que acabaram alertando-os sobre coisas negativas relativas à reunião, fato que os motivou a permanecerem no acampamento, montado às margens da rodovia.

Jair Nambikwara revelou que o grupo estava preparado para qualquer tipo de confronto, até mesmo um combate físico. “Se nós fôssemos à reunião, poderíamos ser presos e o grupo se enfraqueceria. Com todas as lideranças aqui estamos preparados pra tudo”, relatou.

Fonte: Diário da Amazônia

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