segunda-feira, dezembro 6, 2021

Txai Suruí, governadora!

Sendo governadora de Rondônia, será que ela deixaria o seu povo morrer à míngua como está acontecendo com os pobres e miseráveis que vão para o hospital João Paulo II de Porto Velho? Destruir a floresta e devastar o meio ambiente não estão no seu rico vocabulário.

Txai Suruí, governadora!
Eu já disse para que ela não entrasse na sórdida política dos brancos. Mas se quiser entrar, terá muito mais coisas a apresentar aos seus eleitores do que todos os candidatos concorrentes juntos. Txai Suruí, a jovem e encantadora indígena nascida em Rondônia, elevou o nome de seu povo, os paiter-suruí de Cacoal, ao grau máximo que uma comunidade pode ter: discursou em inglês para quase 200 chefes de Estado na COP26, a conferência do clima da ONU em Glasgow na Escócia e foi aplaudida de pé por todo o mundo civilizado e desenvolvido. Para desespero dos reacionários e bolsonaristas, a jovem índia “botou no bolso” de uma só tacada o presidente do Brasil, o governador de Rondônia e os prefeitos de Cacoal e de Porto Velho. Ameaçada de morte, xingada, agredida, destratada e enxovalhada na internet ela, sensata, “deu de ombros”.

Nunca, em momento algum da história da humanidade, o desconhecido nome de Rondônia e também do povo suruí chegou tão alto como agora com esta jovem e bela indígena. Hildon Chaves, por exemplo, o atual prefeito de Porto Velho, tem o costume de andar o mundo inteiro. Porém, nunca levou nem elevou o nome de Porto Velho para nenhum lugar aonde viajou. Hong Kong, Miami, Barcelona e inúmeras outras cidades do mundo jamais ouviram uma só palavra do alcaide porto-velhense. Suas andanças sequer serviram para nos trazer experiências de lugares mais civilizados. Nem sei se o “viajado” Dr. Hildon consegue se expressar em inglês, como fez a reluzente indígena de Cacoal. Qual a autoridade de Rondônia que tem a importância de ser convidada para discursar para líderes mundiais numa conferência das Nações Unidas? Nenhuma delas.

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E que importância têm para o mundo essas mesmas autoridades rondonienses? Todas são iguais ao apagado e desconhecido governador do Estado, o bolsonarista coronel Marcos Rocha. Aliás, Rocha estava também com toda sua comitiva na citada conferência, mas parece que foi solenemente ignorado, ao contrário de Txai Suruí e de suas sábias palavras. Será que se a jovem índia fosse prefeita de Porto Velho, a cidade estaria na triste situação em que se encontra? Além de não ter água tratada, saneamento básico, arborização e esgotos, a capital de Rondônia é o centro do desmatamento e das queimadas na região amazônica em todo verão. Tudo ao contrário do que prega Txai Suruí em seu discurso e ações. Defender seu povo, seus ancestrais, as florestas, as árvores, os animais e a natureza faz parte da vida desta jovem já reconhecida no mundo.

Se ela está a anos-luz em importância à frente dos políticos tradicionais de Rondônia, de Porto Velho e de Cacoal, nem é bom comparar Wailela Txai Suruí com Jair Bolsonaro, o apagado, desconhecido, odiado e inútil presidente do Brasil. Muito diferente da indígena, o presidente dos brasileiros é uma espécie de aborto da natureza que para nada serve a não ser incentivar o desmatamento, envenenar a terra com agrotóxicos, perseguir e ameaçar os povos indígenas e manchar cada vez mais o nome do Brasil no exterior. Mas tomara que a bela índia não entre na política para aprender a mentir e pedir votos em troca de nada como fazem os nossos representantes. Sendo governadora de Rondônia, será que ela deixaria o seu povo morrer à míngua como está acontecendo com os pobres e miseráveis que vão para o hospital João Paulo II de Porto Velho? Destruir a floresta e devastar o meio ambiente não estão no seu rico vocabulário.

*Foi Professor em Porto Velho.

 


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