Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

Teve de tudo: péssima atuação em índices gerais de pesquisa, boatos de “troca” na comunicação já bagunçada, nomeação de “pseudo-secretário”/vídeomaker e quase R$ 10 milhões investidos no “pão e circo”

“Força”
A pesquisa nacional do Instituto Veritá cravou o prefeito Léo Moraes no topo do ranking de aprovação entre as capitais, com impressionantes 94,5%. Um número digno de enquete de rede social bem editada. A mesma pesquisa, porém, faz a gentileza de lembrar que popularidade não tapa buraco, não trata esgoto e muito menos resolve fila de atendimento.
Só agá, mais uma vez
Quando o assunto sai do palanque e entra na vida real, o cenário muda de cor. Saneamento e Meio Ambiente aparecem com nota 3,4; Atendimento ao Cidadão, 4,0; e Saúde, 4,2. Estão lá, destacados no relatório, como as três piores áreas da capital. O contraste é gritante: aprovação de gala, serviços de rodapé.
Infelizmente tem mais
No detalhamento dos piores serviços, a situação afunda um pouco mais. Coleta e tratamento de esgoto levam nota 2,7; coleta seletiva e reciclagem, 3,0; apoio ao tratamento da dependência química, 3,5. Tudo isso devidamente registrado no relatório. São áreas sensíveis, que atingem justamente quem mora longe do centro e perto demais dos problemas.

PVH no mapa dos problemas
O próprio estudo aponta que, no conjunto das capitais, serviços como tratamento da dependência química, exames complexos, transparência dos gastos públicos e manutenção urbana lideram a lista do que precisa melhorar. Porto Velho não só aparece nesse grupo como se sente bastante à vontade nele.
Sem glamour
Na média geral, a capital rondoniense ficou com nota 5,0. Um desempenho morno, que deixa Porto Velho atrás de cidades como Boa Vista, Curitiba e Vitória. Nada catastrófico, mas longe de qualquer pódio, apesar da euforia política.
Cobrança de juros
É verdade que transporte público, educação e segurança aparecem melhor avaliados. Ainda assim, o coração da política urbana (saneamento, meio ambiente e transparência) segue batendo fraco. Em uma capital amazônica, onde infraestrutura sempre foi desafio histórico, ir mal em esgoto e reciclagem não é detalhe: é passivo político.
Popularidade que não “vira”
O levantamento deixa claro: aprovação alta não elimina gargalos. A pesquisa escancara que a imagem do prefeito corre solta, enquanto a gestão concreta tropeça. Em qualquer cenário pré-eleitoral, o recado é simples: quando o serviço não chega, o eleitor percebe.
Fritura
Fontes informaram à coluna que a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) deve passar por uma remodelação. O movimento incluiria a saída do secretário Francisco Costa e dos diretores Muryllo Ferri (jornalismo) e Ana Vacaro (mídias sociais). Nos bastidores, já circulam nomes cotados para assumir: Iuri Máximus Vargas no jornalismo e Larissa Rodrigues nas mídias sociais.
Videomaker quer assumir o trono
Nos corredores, corre solto o comentário de que a mudança teria uma condição: a nomeação do assessor Anderson Parente como secretário da Secom. Currículo? Especialização em TikTok, mestrado em Instagram e doutorado em Facebook. Formação técnica em Jornalismo ou Publicidade? Nenhuma.
Amigo do “rei”
Mas amizade pessoal com o prefeito, ao que tudo indica, segue sendo o principal requisito. O pessoal da atual agência de publicidade da prefeitura é que gosta muito da expertise do “Parente”. O bom é que ele não sabe nenhum termo técnico de publicidade e propaganda. Mas, o importante é que a gestão da comunicação, ao que parece, confia mais em algoritmo do que em técnica. Ainda bem que existe inteligência artificial para ajudar quem não entende PN do riscado né?
Money, la plata…
Caso a nomeação se confirme, Anderson Parente passará a administrar de fato e direito (já que ele manda mais do que o atual secretário Francisco Costa), mais de R$ 10 milhões em publicidade até setembro, quando vence o contrato com a agência atual, além de influenciar uma nova licitação estimada em mais de R$ 18 milhões. Comunicação estratégica, dizem. Será que terá competência?
Na miúda
O mesmo assessor já vem participando de reuniões em Brasília e Maceió sobre o tema. Resta saber o que o grande “marqueteiro” do prefeito que é apenas bacharel em Direito (mas nunca fez um exame da OAB) e que tem registro de jornalista, mas nunca escreveu uma reportagem, tanto expõe nessas viagens importantíssimas, pagas com dinheiro público.
Tá ruim
A saúde pública de Porto Velho segue em estado crônico. E não é figura de linguagem. Superlotação, prédios caindo aos pedaços, falta de insumos, carência de profissionais e equipamentos que mais enfeitam do que funcionam fazem parte da rotina. Fiscalizações recentes nas UPAs mostram pacientes amontoados em corredores e aparelhos fora de uso, um retrato nada artístico de abandono administrativo e gestão capenga.

Homem de promessas
Desde que sentou na cadeira de prefeito, em janeiro de 2025, Léo Moraes resolveu apostar em outra receita para “curar” a cidade: grandes eventos. A lógica é simples: se a saúde não anda bem, ao menos a festa anima. O problema é o preço do ingresso. A conta já passa de R$ 9 milhões em festividades, enquanto prioridades básicas seguem na fila, esperando senha para atendimento.
Pensando bem…
Porque, convenhamos, atendimento médico especializado é detalhe. Ressonância magnética é luxo. Ambulância para reduzir o tempo de resposta em acidentes? Exagero. Reforçar UPAs e postos de saúde? Fica para depois. Afinal, nada disso rende selfie, palco iluminado ou vídeo com trilha épica.
Deixa pra depois
As prioridades da gestão parecem outras: capital político, marketing permanente e um projeto eleitoral bem alinhado para 2026, incluindo a tentativa de emplacar o “maninho” do prefeito, hoje estrategicamente alocado na Secretaria de Turismo. Assinar documentos? Não é bem o forte. A tarefa, ao que tudo indica, acaba terceirizada dentro da própria Secretaria Municipal de Esporte, Turismo e Lazer (Semtel).
E o povo?
A pergunta inevitável surge: a Prefeitura de Porto Velho virou uma produtora de eventos ou uma agência de marketing político? Diferente de gestões anteriores, a atual decidiu jogar em escala nacional. O pontapé inicial foi o aniversário de 111 anos da cidade, em outubro de 2025: cinco dias de festa, shows de artistas conhecidos (como Joelma) e um custo aproximado de R$ 1,8 milhão entre cachês e estrutura.
Ho ho ho
Veio dezembro e, com ele, a criatividade orçamentária. O “Natal Porto Luz” trouxe uma pista de patinação no gelo no Parque da Cidade, contratada via Emdur por módicos R$ 1,9 milhão. Somando decoração, árvore gigante e outros brilhos, o pacote natalino chegou perto de R$ 3 milhões. Um espetáculo, especialmente para quem espera atendimento médico.
Nova cara
E aí fica a provocação incômoda: o que esses mais de R$ 9 milhões fariam pela saúde pública? Com esse valor, se direcionado à Secretaria Municipal de Saúde, seria possível, por exemplo: adquirir cerca de 28 ambulâncias UTI móvel, praticamente renovando a frota de emergência; construir 3 novas Unidades Básicas de Saúde em bairros periféricos;
Mais melhorias
E ainda: custear aproximadamente 20 mil exames de ressonância magnética, reduzindo drasticamente filas; pagar o salário de 82 médicos por um ano, reforçando UPAs e postos.

Dados oficiais
Os números têm lastro: saíram do Portal da Transparência e do Diário Oficial do Município. E ainda podem ser maiores, já que alguns gastos aparecem diluídos entre secretarias diferentes para bancar o mesmo evento. No fim das contas, Porto Velho segue precisando menos de palco, luz e fumaça. E bem mais de seringa, maca e médico. Mas, pelo visto, isso não dá tanta curtida.
*Esta coluna foi escrita com informações publicadas pelo site Coluna da Hora, em reportagens escritas por Géri Anderson e André Soares, durante o mês de fevereiro.
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