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  • Israel intercepta último navio da flotilha para Gaza e prepara deportação de centenas de ativistas; Video

    Israel intercepta último navio da flotilha para Gaza e prepara deportação de centenas de ativistas; Video

    A Marinha israelense interceptou nesta sexta-feira (3) o último dos 42 navios que tentavam romper o bloqueio marítimo à Faixa de Gaza, no âmbito da Flotilha Global Sumud. O Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que quatro ativistas já foram deportados, enquanto os demais, entre os 470 detidos, estão em processo de expulsão do país.

    Entre os detidos está a ativista sueca Greta Thunberg, que chegou a Israel na noite de quinta-feira, segundo fotos divulgadas pelo ministério. Todas as pessoas detidas estão bem de saúde, afirmou o governo.

    "Os procedimentos estão em andamento para encerrar esta provocação e finalizar a deportação dos participantes dessa ação", disse o ministério.

    Mais de 600 policiais, junto a funcionários de imigração e representantes do sistema prisional, foram mobilizados no porto de Ashdod para receber os ativistas. Eles passaram por um "processo de inspeção completo" antes de serem entregues à Autoridade de População e Imigração e ao Serviço Prisional de Israel.

    O último navio da flotilha, o Marinette, ficou para trás devido a problemas mecânicos. Uma transmissão ao vivo mostrou forças da unidade de comando naval Shayetet 13 entrando na embarcação. Os organizadores confirmaram posteriormente que todos os navios haviam sido interceptados.

    A intervenção ocorreu depois que os organizadores rejeitaram a proposta de transferir a pequena quantidade de ajuda humanitária que transportavam para Israel ou para organizações internacionais. Eles insistiram em avançar diretamente para Gaza, território devastado após quase dois anos de combates desencadeados pela invasão do sul de Israel pelo Hamas em outubro de 2023. Atualmente, o grupo mantém 48 reféns, dos quais 20 a 22 estão vivos, segundo estimativas.

    Enquanto isso, uma nova flotilha, composta por nove navios, zarpou da costa da Grécia, na tentativa de repetir a ação fracassada da Sumud.

  • FIERO divulga números da Balança Comercial de agosto

    Em agosto de 2025, Rondônia registrou US$ 229,9 milhões em exportações e US$ 173,9 milhões em importações, acumulando um superávit de mais de US$ 56 milhões em sua balança comercial.

    Do lado das exportações, os destaques continuam sendo soja (43,5%), carne bovina (10,7%), milho, madeira e café, com os principais destinos importantes como China, Espanha e Turquia.

    Já nas importações, os principais itens foram leite e seus derivados, fertilizantes, máquinas e equipamentos, além de ferro e aço. Um dado que chama a atenção é que o leite e seus derivados lideraram a lista dos produtos mais importados por Rondônia, mesmo sendo considerado um estado com milhões de cabeças de gado e reconhecido pela agroindústria.

    Isso se deve a um mecanismo tributário conhecido como importação virtual. Prevista na Lei nº 1.473/2005, ela concede crédito presumido de ICMS a empresas que importam mercadorias destinadas à saída interestadual. Isso faz com que companhias instalem bases comerciais em Rondônia para reduzir a carga tributária, mesmo quando a mercadoria não circula fisicamente no estado.

    O caso do leite é um exemplo claro de como a tributação molda a balança comercial. Mais do que registrar números, é essencial compreender seus significados para avaliar os reais efeitos sobre a economia local. O Observatório da Indústria de Rondônia, monitora esses movimentos para trazer análises que apoiem empresas, gestores e a sociedade na tomada de decisões.
    Confira os números

    https://portal.fiero.org.br/files/Relat%C3%B3rio%20Informativo%20das%20Exporta%C3%A7%C3%B5es%20de%2…

    (Andréa Machado Minuto – Imprensa/FIERO)

  • Deputado Jean Mendonça tranquiliza população após ficar refém de bandidos

    Deputado Jean Mendonça tranquiliza população após ficar refém de bandidos

    O parlamentar foi surpreendido pelos bandidos nas primeiras horas dessa sexta-feira, 03 de outubro.

     

    Na manhã de hoje, o deputado Jean Mendonça e sua esposa e uma enteada foram feitos reféns em sua residência por dois assaltantes armados. O episódio durou cerca de 1 hora e 30 minutos e foi resolvido graças ao empenho das forças policiais, que chegaram rapidamente ao local após serem alertadas por vizinhos.

     

    Em um comunicado, o deputado afirmou que ele e sua família estão bem e não sofreram agressões físicas. “Destacamos o pronto e eficaz trabalho das forças de segurança, cuja atuação técnica e responsável possibilitou a resolução da ocorrência de forma segura e dentro da legalidade”, disse Jean Mendonça.

     

    O parlamentar também reiterou que todas as medidas necessárias foram tomadas e que a situação está sob controle. Ele expressou gratidão pela preocupação e orações recebidas, além de agradecer às autoridades envolvidas na ação.

     

    “ Foram momentos de muita tensão. Por isso, agradeço a Deus pelo cuidado e livramento,” finalizou.

  • Cláudia de Jesus cobra medidas contra praga que ameaça mandioca em Rondônia

    Cláudia de Jesus cobra medidas contra praga que ameaça mandioca em Rondônia

    Em requerimento, deputada pede ações de controle da “vassoura-de-bruxa da mandioca”.

     

    Deputada estadual Cláudia de Jesus (PT) (Foto: Assessoria Parlamentar)

    A cultura da mandioca, essencial para a economia e a alimentação da população amazônica, está sob ameaça em Rondônia. A deputada estadual Cláudia de Jesus (PT) exige informações ao Governo do Estado sobre as ações de controle e erradicação da praga conhecida como “vassoura-de-bruxa da mandioca”, causada por fungo que provoca nanismo, enfraquecimento e até morte da planta.

     

    O requisito foi encaminhado à Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), à Agência de Defesa Agrossilvopastoril (Idaron) e à Emater, órgãos responsáveis por acompanhar e orientar os produtores rurais. Segundo o parlamentar, a praga já foi identificada em outros estados da Amazônia e preocupa os agricultores rondonienses pela facilidade de disseminação e pelo risco de perdas econômicas.

     

    "A mandioca é fundamental para a segurança alimentar de nossas comunidades e para a geração de renda de milhares de famílias. Precisamos de respostas rápidas sobre quais medidas estão sendo impostas para proteger as lavouras e evitar que a praga comprometa a produção em Rondônia", destacou Cláudia.

     

    O Ministério da Agricultura já classificou a doença como Praga Quarentenária Presente, exigindo monitoramento permanente. Entre as medidas de controle estão a eliminação de plantas doentes, o uso de mudas sadias, a higienização de ferramentas e a fiscalização nas estradas para evitar a propagação do fungo.

     

     

    Texto e Foto: Assessoria Parlamentar

  • Alex Redano defende anistia administrativa para Policiais e Bombeiros Militares punidos por manifestações em redes sociais

    As penalidades foram motivadas por manifestações em defesa de melhores condições de trabalho e salários, realizadas em plataformas digitais

    Deputado estadual Alex Redano (Republicanos) 

     

    O deputado estadual Alex Redano (Republicanos) apresentou indicação ao governador de Rondônia solicitando o envio de um Projeto de Lei que conceda anistia administrativa às punições aplicadas contra Policiais Militares e Bombeiros Militares nos últimos cinco anos.

    Segundo o parlamentar, a medida é urgente e busca reparar uma injustiça histórica sofrida por centenas de profissionais que dedicaram suas vidas à proteção da sociedade rondoniense. “Esses homens e mulheres foram punidos simplesmente por se manifestarem em busca de dignidade, melhores condições de serviço e reconhecimento profissional. Não houve quebra de hierarquia ou indisciplina, e sim o exercício legítimo do direito de expressão”, afirmou Redano.

    A proposta destaca que a anistia não terá impacto financeiro retroativo. O objetivo é devolver aos militares a dignidade social, corrigindo processos e sindicâncias que jamais deveriam ter existido. “Um Estado que exige coragem e dedicação de seus militares deve também reconhecer quando errou. A anistia representará pacificação, valorização da tropa e o fortalecimento da relação de confiança entre o Estado e seus agentes de segurança pública”, pontuou o deputado.

    Alex Redano lembra que já existem precedentes em outros estados, como em Minas Gerais, onde uma emenda constitucional concedeu anistia a militares punidos em greves de 1997. Além disso, o Supremo Tribunal Federal já reconheceu que cabe aos estados conceder esse tipo de anistia administrativa.

    Para o parlamentar, o envio do projeto pelo Executivo Estadual será um gesto de justiça e respeito àqueles que arriscam diariamente suas vidas pela população.

    Texto: Mateus Andrade | Jornalista
    Foto: Rafael Oliveira | Secom ALE/RO

  • Pedro Fernandes trata em Brasília de manifestação da Funai sobre área produtiva em Campo Novo

    Pedro Fernandes trata em Brasília de manifestação da Funai sobre área produtiva em Campo Novo

     

    Com risco de mais de 200 famílias serem afetadas por nova demarcação, parlamentar leva demanda de Campo Novo à bancada federal.

    Encontro aconteceu na capital federal (Foto: Ivan Lara)

    Durante agenda em Brasília na terça-feira (1º), o deputado estadual Pedro Fernandes (PRD) esteve no gabinete do deputado federal Lúcio Mosquini para tratar de uma preocupação urgente envolvendo a região de Campo Novo de Rondônia. A pauta é a recente manifestação de interesse da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sobre uma extensa área produtiva, que inclui localidades como quilômetro 90, Terra Roxa, Grotão e trechos da BR-421.

     

     

     

    Acompanhado de dados e relatos da comunidade, Pedro levou a demanda diretamente ao parlamentar federal, destacando os riscos que a situação representa para centenas de famílias. “Lá é uma área muito produtiva, precisa imediatamente tomar alguma solução porque vai prejudicar mais de 200 famílias que moram ali naquela região” afirmou Pedro Fernandes, destacando a urgência do tema.

     

     

     

    Mosquini reforçou o compromisso com a população local e revelou que a situação será tratada diretamente com os órgãos competentes. “Já agendamos uma reunião no Incra, vamos estar tratando com a Funai e o Incra pra que essas pessoas não sejam atingidas” garantiu o deputado federal, que já havia tratado de pautas semelhantes com outros parlamentares estaduais.

     

     

     

    Pedro reforçou que os moradores da região não invadiram áreas indígenas, mas vivem da produção rural e precisam de segurança jurídica para continuar gerando sustento. “Lá são homens trabalhadores, são pais de família, e a gente que tá lá naquela região, buscamos essa demanda e trouxemos aqui para o deputado Lúcio, para o senhor ajudar a gente lá na região” declarou o deputado estadual.

     

     

     

    Ao final, Lúcio Mosquini reafirmou sua posição. “Não queremos que ninguém toque nem a terra indígena. A terra indígena tem que ser intocável, mas criar mais área indígena em cima de quem tá plantando, produzindo, fazendo o seu pão de cada dia em cima de uma terra, não podemos admitir.”

     

     

     

    A mobilização dos parlamentares representa um esforço conjunto para preservar o direito à terra e à produção das famílias que vivem na região e dependem diretamente daquela área para sua subsistência.

     

     

     

    Texto e foto: Ivan Lara I Jornalista

  • Sequestro na casa do deputado Jean Mendonça termina com prisão dos criminosos em Pimenta Bueno

    Sequestro na casa do deputado Jean Mendonça termina com prisão dos criminosos em Pimenta Bueno

    Da Redação (Pimenta Bueno – RO) – A cidade viveu momentos de apreensão na manhã desta sexta-feira (2), quando o deputado estadual Jean Mendonça e sua enteada foram feitos reféns dentro de sua casa por dois homens armados.

    De acordo com os primeiros relatos, os suspeitos invadiram a residência e mantiveram o parlamentar e a jovem sob ameaça constante. A Polícia Militar foi acionada rapidamente, isolou o local e iniciou um cerco para garantir a segurança dos reféns.

    Durante o episódio, os criminosos colocaram as vítimas na caminhonete da família e, cercados pelas forças policiais, exigiram a presença da imprensa antes de se renderem. Após negociações intensas, decidiram entregar-se voluntariamente.

    O Corpo de Bombeiros prestou atendimento inicial às vítimas, que foram levadas ao hospital para exames médicos. Felizmente, não houve registro de ferimentos graves.

    Os autores do crime foram detidos em flagrante e encaminhados à Delegacia de Polícia Civil, onde permanecem sob custódia judicial.

    As autoridades investigam a possível participação de um terceiro indivíduo. A polícia realiza buscas em uma área de mata próxima, suspeitando que os invasores tenham utilizado uma embarcação para chegar ao local.

    As investigações continuam em andamento.

  • MAPA e Sebrae Rondônia firmam convênio para fortalecer a cadeia do leite no estado

    MAPA e Sebrae Rondônia firmam convênio para fortalecer a cadeia do leite no estado

    Projeto Produtividade Leiteira no Vale do Jamari levará inovação tecnológica e apoio à agricultura familiar, beneficiando produtores do Vale do Jamari e de Urupá
    O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e o Sebrae Rondônia (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) realizaram, nesta segunda-feira (29), a assinatura de um convênio.

    A parceria foi formalizada pelo Secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do MAPA, Pedro Alves Correa Neto, e pelos diretores do Sebrae em Rondônia, José Alberto Anísio (superintendente) e Edson da Silva Lemos (administrativo-financeiro).

    O acordo conta com recursos provenientes de emenda parlamentar indicada pelo deputado federal Thiago Flores e está registrado no sistema Transferegov.br, cumprindo rigorosamente a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e demais normas legais. José Alberto Anísio, diretor superintendente do Sebrae em Rondônia, destacou a relevância da ação:

    “Essa parceria com o MAPA, viabilizada por meio da emenda parlamentar do deputado Thiago Flores, a quem agradecemos o apoio, representa um passo importante para o fortalecimento da cadeia produtiva do leite no Vale do Jamari. Estamos falando de mais competitividade, qualidade e oportunidades para os pequenos produtores. Esse é o verdadeiro sentido de política pública: gerar impacto positivo na ponta. Todos nós saímos ganhando com essa iniciativa.”
    Foco no desenvolvimento da cadeia do leite
    O convênio vai beneficiar diretamente os produtores da cadeia produtiva do leite assistidos por assistência técnica continuada nos municípios de Machadinho d’Oeste, Monte Negro, Vale do Anari e Urupá, uma das regiões de maior relevância para a produção leiteira de Rondônia.

    Com o apoio de instituições de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), a iniciativa visa selecionar os produtores aptos para recepcionar os serviços tecnológicos implementar tecnologias para a melhoria genética do rebanho, fortalecendo a gestão, o manejo e a sustentabilidade das propriedades rurais atendidas.

    Segundo o plano de trabalho, os investimentos devem refletir em ganhos de produtividade, qualidade da produção e, principalmente, no aumento da renda e da qualidade de vida dos produtores familiares.

    Os resultados esperados para este convênio envolvem tanto aspectos qualitativos quanto quantitativos. Do ponto de vista qualitativo, a iniciativa busca elevar o padrão genético do rebanho leiteiro, permitindo que os produtores superem a atual média de produtividade, hoje em torno de 5,6 litros por vaca ao dia.

     Já no aspecto quantitativo, a meta é beneficiar 110 propriedades da agricultura familiar, que passarão a contar com animais de alto padrão genético, fortalecendo a cadeia produtiva do leite em Rondônia.

    O Sebrae em Rondônia tem papel central na execução da proposta, articulando parceiros e promovendo o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva. A instituição também é responsável por apoiar os produtores no acesso à tecnologia, inovação e capacitação, criando condições para que a atividade leiteira da região se torne mais competitiva e sustentável.

    Mais informações sobre as ações do Sebrae em Rondônia podem ser encontradas no site www.sebrae.ro ou pelo telefone gratuito 0800 570 0800. Também é possível acessar a loja virtual em sebrae.ro/loja e acompanhar as novidades pelas redes sociais: Instagram, TikTok, Facebook, LinkedIn e YouTube (@sebraero).

  • Guaporé em defesa da vida: união de forças pela sobrevivência das tartarugas da Amazônia conta com a Assembléia Legislativa de Rondônia

    Guaporé em defesa da vida: união de forças pela sobrevivência das tartarugas da Amazônia conta com a Assembléia Legislativa de Rondônia

    Uma missão coletiva transforma o vale num santuário de esperança e proteção

    Desova das tartarugas-da-Amazônia está atrasada (Foto: Frank Néry – Governo de Rondônia)

     

    No coração do Vale do Guaporé, onde a vida se revela no balanço das águas, no silêncio das margens e no mistério da floresta, nasceu uma corrente de esperança. Voluntários, comunidades locais, instituições e empresas uniram forças para que milhares de filhotes de tartarugas-da-Amazônia pudessem romper a areia, alcançar o rio e perpetuar a história de resistência dessa espécie.

    Zeca Lula é dos fundadores da Associação Comunitária e Ecológica do Vale do Guaporé (Foto: Eliete Marques/Secom ALE/RO)

    A voadeira, leve como um sopro e veloz como a correnteza que a embala, desliza suavemente sobre as águas serenas do Rio Guaporé. Pequena no tamanho, mas imensa no propósito, esta embarcação é guiada pelas mãos calejadas e seguras de José Soares Neto, mais conhecido como Zeca Lula – guardião do rio e um dos fundadores da Associação Comunitária e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale), criada em 3 de julho de 1999.

    Zeca, junto de outros voluntários, dedica-se à educação ambiental, ao monitoramento e à proteção dos quelônios, em Costa Marques e São Francisco do Guaporé. São as sentinelas do rio, que percorrem as praias moldadas pela dança das águas, vigiando o delicado ciclo da tartaruga-da-Amazônia e de outras espécies que ali depositam a esperança da continuidade.

    O Vale do Guaporé é rico em biodiversidade (Foto: Luís Castilhos/Secom ALE/RO)

    Segundo Zeca, essas tartarugas escolhem com sabedoria ancestral onde criar vida: nas praias Ilha, Alta, Buraco da Barba, Terra Rompida e Poeira, do lado brasileiro. Do lado boliviano, repousam na Tartaruguinha, na Suja e, mais recentemente, na recém-descoberta praia do Estirão.

    “Por causa dos ataques de caçadores e do turismo que chega sem pedir licença, elas mudam de lugar, buscando onde se sintam em paz e seguras”, disse Zeca com a voz de quem aprendeu a escutar o rio.

    Uma das praias que servem de berçário natural para as tartarugas (Foto: Eliete Marques/Secom ALE/RO)

    O vazio das praias 

    As praias do Guaporé eram palco de um espetáculo de esperança: centenas de tartarugas, em sua marcha silenciosa, escavavam a areia quente para depositar o futuro da espécie. Cada ninho era uma promessa de continuidade, um pacto entre a terra, a água e o tempo.

    Mas, em 2024, o que se viu foi o contrário: um silêncio, uma ausência preocupante no olhar de quem esperava a vida florescer na areia. O ciclo natural foi interrompido, e o vazio tomou o lugar onde antes vibrava a força da sobrevivência.

    O atraso na desova não veio por acaso. Foi fruto de um conjunto de feridas abertas no coração da natureza: queimadas ilegais que pintaram o céu de cinza, a fumaça densa que mudou a temperatura das praias, e a cheia do Rio Guaporé que, impiedosa, alagou os ninhos.

    A tudo isso somou-se a menor incidência da luz do sol – essencial para a termorregulação das tartarugas -, além das ameaças antigas e persistentes: a caça predatória e a coleta de ovos, práticas que ainda roubam vidas antes mesmo que elas tenham início.

    Assim, o vazio das praias em 2024 não foi apenas a ausência de animais. Foi o retrato doloroso das ações humanas e das mudanças climáticas que ameaçam a espécie.

    Zeca Lula identificando ninhos (Foto: Eliete Marques/Secom ALE/RO)

    Operações de salvamento

    O ano de 2024 terminou carregado de preocupação para aqueles que cuidam do rio e dos animais. A fumaça das queimadas ilegais – alimentadas pela ganância e agravadas por uma seca implacável – subiu como um véu escuro sobre o céu da floresta. Essa nuvem densa escondeu o sol, esfriou a areia onde as tartarugas costumam deixar a vida em forma de ovos, e desorientou os instintos milenares desses seres silenciosos.

    A natureza, confusa e ferida, hesitou. As tartarugas adiaram a desova. Quando enfim os ninhos surgiram, o destino foi cruel: as águas do rio, descompassadas pelo clima extremo, subiram antes do tempo e cobriram milhares de ninhos. A esperança, que ali se escondia sob a areia, foi levada pelas correntezas.

    A desova das tartarugas-da-Amazônia também está atrasada neste ano (Foto: Luís Castilhos/Secom ALE/RO)

    O impacto foi avassalador. Em 2023, a vida brotara em abundância: mais de 1,4 milhão de filhotes nasceram. Mas, em 2024, mesmo com uma previsão já mais modesta de 700 mil, a realidade foi ainda mais dura – apenas 350 mil conseguiram alcançar o rio.

    Nessa corrida contra o tempo, o espírito de solidariedade se ergueu. Voluntários, comunidades locais, instituições e empresas uniram-se como uma só correnteza de cuidado. “Realizamos operações de salvamento para resgatar o maior número possível de filhotes. Sem essa união, a perda seria muito maior”, desabafou Zeca Lula, com a sabedoria de quem conhece cada curva do Rio Guaporé.

    Biólogo Deyvid Mulleré voluntário da Ecovale desde 2021 (Foto: Arquivo pessoal)

    Zeca Lula destacou que as operações de salvamento não foram apenas uma resposta a uma tragédia ambiental. Foi um ato de amor. Um lembrete de que, mesmo diante da destruição, a vida ainda encontra abrigo nas mãos de quem luta por ela.

    O repórter Antônio de Oliveira, que acompanhou a operação no ano passado, testemunhou e contribuiu para o poder transformador da dedicação humana. Entre esses rostos estava o biólogo Deyvid Muller, de 34 anos, voluntário da Ecovale desde 2021, que recordou com pesar:

    “Foi um cenário de muita tristeza. Ver tantos ninhos alagados e muitos filhotes mortos. Morreram muitos, sim. Mas sem a nossa ajuda, morreriam ainda mais”, enfatizou.

    Para o estudante Pedro Sotelle, de 18 anos, voluntário da Ecovale há quatro anos, cada ação no Vale do Guaporé é uma oportunidade de aprender e devolver algo à natureza. “Essa região é um verdadeiro tesouro natural, que merece ser protegido. Ajudar na desova das tartarugas foi uma experiência gratificante. Juntos, podemos garantir um futuro melhor para essas criaturas incríveis e para o nosso Rio Guaporé”, afirmou.

    Estudante Pedro contribuiu no salvamento de filhotes em 2024 (Foto: Arquivo pessoal)

    Incertezas de 2025

    O ano de 2025 chega próximo do final envolto em incertezas para as tartarugas-da-Amazônia. O relógio da natureza está descompassado – a desova atrasou, e agora o nascimento dos filhotes poderá coincidir com a cheia do rio, um encontro perigoso entre a fragilidade da vida e a força desmedida das águas.

    “Este ano, mais uma vez, a sobrevivência vai depender da nossa ajuda. Com o meio ambiente como está, elas não vão conseguir sozinhas. Já estiveram na lista das espécies ameaçadas de extinção. Conseguiram sair, mas, se isso continuar, logo voltarão”, alertou com tristeza Zeca Lula.

    Mesmo diante do cenário sombrio, a esperança resiste. E renasce, todos os anos, no delicado momento da eclosão – quando os pequenos seres rompem a areia e se lançam ao desconhecido.

    A Ecovale, como guardiã desta travessia, transforma esse instante em partilha e aprendizagem. Convida estudantes, parceiros e instituições para participarem da soltura de parte dos filhotes. Um gesto simbólico, mas importante.

    Soltura dos filhotes acontece em dezembro (Foto: Frank Néry/Governo de Rondônia)

    O evento acontece, quase como um ritual, no segundo domingo de dezembro – e já se tornou tradição. Tanto que o município de São Francisco do Guaporé o incluiu no calendário oficial, garantindo que nenhuma outra festividade concorra com o nascimento das tartarugas.

    “É um momento de educação ambiental. Vem gente de todo lugar, até de fora do país. Todos ficam maravilhados ao ver a esperança da vida ali, diante dos olhos, como um milagre pequeno e silencioso”, contou Zeca.

    Neste encontro entre o rio, a areia e o olhar humano, brota não apenas a vida das tartarugas – mas também a consciência de que cuidar é resistir, e que o futuro depende do que fazemos agora.

    O momento da soltura também tem caráter de educação ambiental (Foto: José Soares Neto/Ecovale)

    Reconhecimento do trabalho da Ecovale 

    A Ecovale, composta por voluntários, tem parceiros privados e governamentais. Conforme Zeca, a associação já recebeu 40 prêmios, entre nacionais e internacionais. Em 2024, recebeu o Prêmio Águias Americanas de meio ambiente, concedido pelo Instituto Nacional de Qualidade Social (INQS), que premia empresas e entidades que se destacam em suas áreas por todo o país.

    “Nós acreditamos que preservar este lugar, tão rico em biodiversidade, não é apenas uma responsabilidade local, mas uma missão que impacta o futuro de toda a Amazônia e, consequentemente, do planeta. Cada tartaruga que ajudamos a sobreviver, cada ninho que conseguimos proteger, representa um passo a mais na luta contra a degradação ambiental. Nosso objetivo é continuar mobilizando pessoas, empresas e instituições, porque a preservação só acontece de verdade quando é coletiva. A natureza não tem voz, mas nós temos, e precisamos usá-la para defender a vida”, declarou o representante da Ecovale.

    A Ecovale é composta por voluntários e tem parceiros privados e governamentais (Foto: Ecovale/Divulgação)

    Ações da Assembleia Legislativa

    A Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia (Alero) tem aprovado uma série de projetos de lei que destina recursos ao combate aos incêndios florestais, à estruturação do Corpo de Bombeiros e ao fortalecimento institucional para a prevenção e resposta a desastres ambientais.

    Em maio deste ano, por exemplo, os deputados aprovaram mais de R$ 33 milhões para reforçar o combate às queimadas e ampliar a estrutura dos Bombeiros. Já em 2024, a Alero autorizou mais de R$ 26 milhões para ações de enfrentamento às queimadas.

    Enquanto as tartarugas ainda não realizam a desova, as gaivotas já ocuparam as areias das praias, onde botaram seus ninhos e de onde já nasceram filhotes (Foto: Eliete Marques/Secom ALE/RO)

    Além disso, recursos são direcionados para essas áreas por meio de emendas parlamentares, instrumento que permite destinar parte do orçamento público. Trata-se de uma oportunidade para que os deputados incluam novas programações orçamentárias, a fim de atender às demandas das comunidades que representam ou de áreas consideradas prioritárias.

    Com essas medidas, a Assembleia busca reafirmar seu compromisso com a preservação ambiental e a proteção da biodiversidade. Ao garantir recursos e fortalecer a estrutura de combate às queimadas, a Alero consolida o papel do Poder Legislativo como aliado na construção de políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à defesa do patrimônio natural do estado.

    Deputados estaduais em sessão ordinária no plenário da Assembleia Legislativa de Rondônia (Foto: Thyago Lorentz/Secom ALE/RO)

    Texto: Eliete Marques I Jornalista Secom ALE/RO

  • SUS fará cirurgia de câncer de próstata por robô

    SUS fará cirurgia de câncer de próstata por robô

    Tratamento deverá ser oferecido em até 180 dias

    Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil

    Rio de Janeiro

    © Tânia Rêgo/Agência Brasil

    O Ministério da Saúde, por meio de portaria da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico Industrial da Saúde (Sectics), incorporou no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) a prostatectomia radical assistida por robô para o tratamento de pacientes com câncer de próstata clinicamente avançado.

    A prostatectomia radical é uma cirurgia para remover a próstata e as vesículas seminais, sendo um tratamento curativo para o câncer de próstata, principalmente em estágios iniciais. Nesse procedimento, a próstata é removida completamente, juntamente com os tecidos ao seu redor, como as vesículas seminais e, em alguns casos, os linfonodos pélvicos, para eliminar o tumor e reduzir o risco de recorrência.

    De acordo com a portaria, as áreas técnicas terão o prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta no SUS. Deverá constar também o relatório de recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) sobre essa tecnologia.

    A Conitec aprovou, em parecer final, a incorporação da prostatectomia radical robótica para pacientes com câncer de próstata clinicamente localizado ou localmente avançado.

    "Reconhecemos que há um esforço por parte da equipe técnica em promover equidade no tratamento e assegurar que mais pacientes possam se beneficiar dos melhores cuidados disponíveis”, disse o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Rodrigo Nascimento Pinheiro.

    Pinheiro explicou que “os próximos passos para que a cirurgia robótica esteja amplamente disponível nos hospitais conveniados ao SUS incluem a definição de protocolos, de centros de referência e treinamento das equipes com foco na garantia de segurança e qualidade dos procedimentos. Segundo ele, a técnica robótica tem mostrado sua eficácia na formação de novos profissionais, reduzindo a curva de aprendizado ao permitir treinamentos em ambientes controlados e supervisionados.

    Edição:
    Graça Adjuto