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  • Ministro da Justiça contraria Anvisa e rejeita cobrar vacina para entrar no Brasil

    Bolsonaro disse na quarta-feira (24) que prefere abrir as fronteiras, mas não manda nas decisões da agência reguladora
    Ministro da Justiça contraria Anvisa e rejeita cobrar vacina para entrar no Brasil
    © Getty

    BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, disse nesta quinta-feira (25) que é contra cobrar o certificado de vacinação contra a Covid-19 como forma de liberar a entrada de viajantes no Brasil.

    "Não precisa. Ela não impede a transmissão da doença", disse Torres à imprensa. Ele e os ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, e da Casa Civil, Ciro Nogueira, são responsáveis por decidir sobre as regras de controle de fronteiras no Brasil durante a pandemia.

    Como revelou a Folha de S.Paulo, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) propôs adotar o passaporte da vacinação para quem cruza a fronteira do Brasil por terra ou para dispensar a quarentena após voos internacionais.

    Os conselhos de secretários de saúde de estados (Conass) e de municípios (Conasems) divulgaram nota nesta quinta-feira (25) em apoio à proposta da Anvisa.

    Torres disse que a posição contrária a cobrar a vacina nas fronteiras é pessoal. "Não tem nada decidido ainda", declarou.

    A agência recomenda combinar a testagem dos viajantes com a vacinação como forma de impedir a disseminação do vírus. A proposta foi feita no último dia 12, após o Planalto questionar o órgão regulador quanto à ideia de Bolsonaro de reabrir fronteiras.

    Em nota técnica, a Anvisa afirmou que ainda são escassos os estudos sobre a transmissão por pessoas vacinadas, mas disse que dados disponíveis "indicam claramente que a vacinação continua sendo a estratégia chave para o controle da pandemia de Sars-CoV-2, inclusive da propagação de variantes, como a Delta".

    O presidente Jair Bolsonaro, que distorce dados sobre segurança e eficácia dos imunizantes, quer apenas abrir as fronteiras, sem cobrar o "passaporte da vacina", segundo integrantes do governo.

    A proposta da Anvisa valeria para permitir a imigração por terra. Hoje as fronteiras estão fechadas, com algumas exceções.

    A agência também sugere endurecer as regras para voos internacionais. A ideia é que viajantes façam quarentena de cinco dias, mesmo se apresentarem teste RT-PCR negativo para o novo coronavírus. A quarentena seria dispensada, porém, para quem estivesse vacinado.

    Em discussões internas do governo, representantes do Ministério da Saúde apoiaram a recomendação da Anvisa, mas a pasta comandada por Queiroga ainda não apresentou um parecer formal sobre o tema.

    Em nota enviada ao Planalto, a Anvisa propõe que a vacina seja aplicada 14 dias antes do embarque ao Brasil em voo internacional ou de cruzar a fronteira terrestre.

    A agência argumenta que segue orientação de países como os Estados Unidos, Canadá, Chile, entre outros.

    "O recrudescimento da pandemia em países europeus e o aumento de casos nos EUA, e Canadá, bem como em países da América do Sul, tais como Bolívia, Equador e Paraguai, conforme informação divulgada hoje pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), exigem que o Brasil adote medidas sanitárias adicionais, de modo a proteger sua população", disseram Conass e Conasems em nota.

    Desde dezembro de 2020, o governo cobra a apresentação do teste RT-PCR, mas não exige quarentena, apesar de a Anvisa sugerir essa medida há meses.

    "A Anvisa tem reiteradamente reforçado ao Comitê Interministerial a importância da medida de quarentena ou autoquarentena, que, se cumprida de acordo com as orientações das autoridades de saúde, permite maior segurança à saúde pública, interrompendo a cadeia de transmissão de variantes do vírus, já que visa evitar o contato do viajante com outras pessoas suscetíveis", afirmou a Anvisa na nota técnica enviada ao Planalto.

    Bolsonaro disse na quarta-feira (24) que prefere abrir as fronteiras, mas não manda nas decisões da agência reguladora. Ele afirmou que conversou com o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, sobre o tema.

    "Na minha parte, não decido, não mando na Anvisa, [mas] a gente não teria fronteira fechada", disse Bolsonaro. "Tem a questão da economia, turismo, um montão de coisas. E o vírus, já falei para vocês, tem de conviver com ele", afirmou ainda.

    A ideia da Anvisa é evitar que o aumento de casos da Covid-19 registrado na Europa, entre outros locais, também ocorra no Brasil. A agência também quer impedir que o país vire atrativo para turistas não vacinados.

    "A inexistência de uma política de cobrança dos certificados de vacinação pode propiciar que o Brasil se torne um dos países de escolha para os turistas e viajantes não vacinados, o que é indesejado do ponto de vista do risco que esse grupo representa para a população brasileira e para o Sistema Único de Saúde", disse a Anvisa em nota enviada ao Planalto.

    Já as regras para entrada no Brasil pelo mar são mais específicas e ainda não há permissão para transporte de passageiros de outros países. O governo deu aval apenas para cruzeiros internos.

    As regras sobre a entrada no Brasil durante a pandemia são definidas por portarias assinadas pelos ministros da Casa Civil, Saúde e Justiça, com base em pareceres da Anvisa, ainda que recomendações da agência, como de imposição de quarentena, tenham sido ignoradas até agora.

    Procurada, a Saúde disse apenas que "os critérios para a entrada de estrangeiros ou brasileiros vindos do exterior ao país são elaborados de forma integrada e interministerial, visando sempre a segurança e o bem-estar da população brasileira".

    A Casa Civil divulgou nota nesta quinta-feira (25) afirmando que não houve alteração recente nas regras sobre a entrada de viajantes no Brasil. O texto foi divulgado horas após a Anvisa confirmar que pediu a adoção do "passaporte da vacina".

    "Eventuais mudanças na portaria estão em análise com a participação de todos os órgãos envolvidos no assunto", disse a Casa Civil. "Os pareceres técnicos de todos os órgãos envolvidos são avaliados de maneira conjunta, respeitando os princípios de oportunidade e conveniência. Somente depois de todas essas análises a decisão será publicada em uma nova portaria", afirmou ainda a pasta.

  • Pesquisa comprova maior eficácia de teste HPV para detecção de câncer

    Trabalho é da Universidade Estadual de Campinas

    Por Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

    A aplicação do teste de HPV baseado em DNA para rastreamento do câncer de colo de útero é mais eficaz na detecção da doença. Pesquisa desenvolvida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) comprovou a eficácia do teste no Brasil. O comparativo é com o exame de Papanicolau, que identifica células já doentes. A detecção do câncer nas mulheres que fizeram o teste de DNA-HPV foi antecipada em dez anos, ainda em estágios iniciais.

    O estudo foi feito em parceria com a Prefeitura Municipal de Indaiatuba (SP) de outubro de 2017 a março de 2020, com cobertura de mais de 80% da população-alvo. A cidade tinha o maior índice de informatização de saúde e de cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) da região de Campinas. Os primeiros resultados foram publicados em novembro na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.

    Júlio Cesar Teixeira, pesquisador principal do estudo e diretor de Oncologia do Hospital da Mulher (Caism) da Unicamp, diz que o Papanicolau alcançava apenas 30% das mulheres-alvo. “Passamos da cobertura, que era 30%, para mais de 90% e utilizamos um teste mais sensível e eficiente. O que aconteceu? Em dois anos e meio, detectamos 21 casos de câncer na população, sendo que 14 eram microscópicos”, acrescentou. A idade média era de 39 anos.

    No comparativo com o programa anterior, que utilizava o Papanicolau como exame preventivo, foram 12 cânceres detectados e apenas um era microscópico, os demais eram avançados. A idade média desses casos era 49 anos. “Com o novo teste, detectamos os cânceres que iriam surgir nos próximos dez anos na cidade. Nós já detectamos em fases iniciais, com chances de cura próximas de 100%”, explica Teixeira.

    No âmbito do programa, 86,8% dos testes tiveram resultado negativo e 6,3% tiveram indicação de colposcopia. “Você faz uma triagem dessas pessoas. Quem tem o vírus, eu vou olhar para o segundo teste, que pode ser a citologia [Papanicolau] ou já olhar diretamente o colo, com uma colposcopia, que é um exame como uma lente de aumento para ver se ela já tem alguma lesão pré-câncer. Você acaba detectando antes de virar uma lesão em muitas mulheres”, diz o pesquisador.

    Teixeira explica que a vacina do HPV, que começou a ser aplicada no Brasil em 2014 e tem como público-alvo crianças e adolescentes de 9 a 15 anos, deve diminuir a circulação do vírus, dificultando o rastreamento pela citologia. “Pela vacina, elas vão ter muito menos alterações, porque vão ter muito menos HPV. Então, o Papanicolau não vai conseguir detectar nada nessa população futura, vai ter que ser um teste de HPV”.

    O estudo desenvolvido pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp conseguiu comprovar o custo efetivo da substituição do teste. Apesar do custo inicial maior, Teixeira explica que alguns fatores fazem com que o custo total seja menor. Os exames de citologia, por exemplo, precisam ser feitos de três em três anos, e o teste de HPV é feito de cinco em cinco anos. “Um teste de HPV negativo garante cinco anos de risco zero para ter alguma doença importante, então você espaça mais.”

    Além disso, há os custos com tratamento, quando o diagnóstico é feito tardiamente. “Se você detectar uma lesão pré-câncer, a mulher vive a vida dela inteira. Se detectar um câncer, ela tem um risco de morrer e encurtar a vida, dependendo do estágio”, exemplifica. O médico acrescenta que o custo do tratamento de um câncer avançado e um microscópico é pelo menos 20% maior.
    HPV
    De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer do colo do útero é causado pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano – HPV. “Praticamente de cada dez pessoas durante a vida, oito têm contato nos genitais com o HPV. São vários tipos, e 14 são relacionados a câncer”, explica o pesquisador.

    Tirando o câncer de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina. E é a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Em 2020, foram 16,7 mil novos casos. Em 2019, foram 6,5 mil mortes, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer.

    Teixeira reforça que este é um câncer que pode ser erradicado, tendo em vista que se conhece o agente causador, o vírus HPV.

  • Ministério da Saúde recomenda dose de reforço da Janssen

    Intervalo deve ser de dois a seis meses

    DF recebe 18.950 doses da vacina Janssen (24.06.2021)Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

    Por Agência Brasil – Brasília

    O Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica na noite dessa quinta-feira (25)  em que orienta que os 4 milhões de brasileiros que se vacinaram com o imunizante da Janssen tomem uma dose de reforço entre dois e seis meses após a primeira aplicação. A recomendação do ministério é que seja utilizado a vacina do mesmo fabricante.Segundo a nota, a orientação foi baseada em estudos científicos que mostram aumento significativo na imunidade após a aplicação de mais uma dose da vacina, principalmente com intervalo mais longo, de seis meses.

    Se a dose de reforço, segundo estudos, for aplicada com um intervalo de seis meses, os níveis de anticorpos aumentam nove vezes após uma semana com a imunização da Janssen. Esse índice segue aumentando em até 12 vezes quatro semanas após a aplicação do reforço.

    A nota técnica citou uma pesquisa norte-americana que demonstrou que a dose de reforço, quando aplicada com um intervalo mínimo de dois meses, fornece até 94% de proteção contra a covid-19. Com dose única do imunizante, o índice é de 75%. O estudo também demonstrou que os níveis de anticorpos aumentaram de quatro a seis vezes com a dose de reforço.

    Os resultados  embasaram o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês) a também recomendar a dose de reforço da Janssen.

    No caso de mulheres que se vacinaram com a Janssen e que estejam grávidas, a recomendação é que a dose de reforço seja feita com a vacina da Pfizer.

    O Brasil recebeu, até agora, 6,6 milhões de doses de vacinas da Janssen. No momento, cerca de 2 milhões de doses estão em análise do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS).

    Segundo o Ministério da Saúde, a previsão do laboratório é que mais 2,8 milhões de doses sejam entregues no começo de dezembro e o restante até o fim do mês. "Esses quantitativos são suficientes para a aplicação do reforço de quem se vacinou com a Janssen dentro do intervalo recomendado de até seis meses", informou o ministério em nota.